Grande homem, grande musica, grande letra. Obrigada tupac
30.3.11
Conto de fadas
Ali estava eu, deitada com a música tão alta que me isolava do resto do mundo.
Era como se o meu quarto se tivesse tornado numa barreira que me separava da realidade, uma barreira que me fazia acreditar que eu era a única pessoa do mundo.
Na minha cabeça não surgiam quaisquer pensamentos ou memorias, nada que me preocupasse ou me entusiasmasse. Estava apática como um ser vegetal, incapaz de sentir ou pensar.
O som da música fez-me despertar desse estado de dormência e por momentos desejei voltar, senti saudades dessa distância emocional.
Então, por um segundo joguei ao faz de conta.
Fingi que a vida era um conto de fadas e que eu era a princesa.
Fingi que ansiava a chegada do meu príncipe encantado e que ele me amava incondicionalmente apesar de eu ter fugido á meia-noite.
Fingi que o nosso amor não necessitava de palavras, era um amor eterno dês de o momento em que nos vimos.
Fingi que tinha conseguido derrotar a bruxa má e que o beijo do príncipe me tinha salvo de uma morte certa.
Fingi que tinha uma fada madrinha só minha e ela me dava vestidos maravilhosos e únicos.
Fingi que tinha um esquilo falante que no fim ia viver comigo para o castelo mais o meu príncipe encantado e íamos viver felizes para sempre.
Depois acordei.
Apercebi-me porque é que nunca tinha gostado de jogar ao faz de conta: é uma fantasia que nos impede de apreciar a beleza da realidade.
Não sou uma princesa, sou uma mulher independente que não vive um conto de fadas mas sim a vida real que ela própria comanda e não precisa de narrador para lhe dizer o que fazer.
Também não anseio a chegada de um príncipe encantado (isso não existe), prefiro um rapaz confiante e com vontade própria que tem as suas ideias e não vai com a corrente.
Nunca terei um amor eterno á primeira vista, essa ideia é ridícula. Se o amor fosse assim tão fácil e banal, qual era a piada de lutar por ele?
Nunca vou conseguir derrotar a bruxa má porque ela irá sempre arranjar novas formas de me impor obstáculos, o que posso fazer é mostrar-me superior a ela.
Não preciso de ser salva pelo príncipe, sei resolver os meus problemas sozinha.
A minha fada madrinha chama-se cartão multibanco e acreditem ou não também faz magia.
Não preciso de um castelo nem de um esquilo falante, apenas de uma carrinha pão de forma e de amigos que me levem para Amesterdão e me façam feliz por uma semana, afinal se já soubesse que ia ser feliz para sempre deixaria de perseguir a felicidade o que tornaria a minha vida num aborrecimento eterno.
Por isso não tenham pena de a vida não ser um conto de fadas, vivam-na intensamente e criem vocês a vossa própria história, pois ao superarem todos os obstáculos que o mundo real vos impõe irão sentir um orgulho e uma realização pessoal que de outra forma nunca iriam atingir.
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